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Entre leituras: março

Das leituras folhetinescas à leitura de conteúdo e empoderamento social, as representações sobre as leituras femininas muito tem avançado. A história social da leitura no Brasil que circunscrevia as mulheres no universo de leituras fugazes, cujo horizonte de expectativa vinha sendo representado pelas novelas e pelos folhetins, mapeavam as leitoras desde o século XIX até algumas formulas atuais de revistas que ainda pautam suas edições no tripé “casa, moda, coração”. As leituras, assim como tantos outros direitos, eram aquelas permitidas socialmente.

Hoje, nós mulheres constituímos o maior público leitor do Brasil, segundo pesquisa do Instituto Pró-livro. Muita coisa mudou e até podemos arriscar que avançou socialmente. Mas ainda há assimetrias a serem questionadas: as mulheres ainda são menos publicadas, divulgadas e premiadas por exemplo. Nesse contexto surgem iniciativas que se propõem a incentivar as mulheres sejam nas suas práticas de leitura, no apoio a publicações ou em temas pertinentes ao posicionamento da mulher no contexto atual, como é o interessante caso do Leia Mulheres, um clube de leitura composto por mulheres e disposto a ler e discutir obras feitas também por mulheres.

 

Veja mais em : https://leiamulheres.com.br/2019/03/quatro-anos-de-leia-mulheres/

É hora de rompermos essa herança cultural no mundo das letras e desenharmos um novo caminho possível.  Arrisco o arremate: as leituras femininas ocuparam erroneamente o lugar das frivolidades por este ser um único lugar de formação desse público leitor isso é explicado pela Sociologia da Leitura, campo teórico que estuda todas as implicações de formação do leitor: desde as estruturas/possibilidades sociais, culturais, acesso a bens culturais como o livro etc. As revistas que teimam no formato folhetim trazendo manchetes como “Dicas para fazer o seu parceiro feliz na cama” devem ligar seu alerta ou o Mercado encaminhará o assunto.  As representações da mulher na contemporaneidade e os muitos papéis sociais que ocupamos, reclamam essa atualização. Revistas, parem de competir com a frivolidade e ampliem seus conceitos/expectativas sobre o maior público leitor do Brasil!